Como sempre, fui um dos últimos a deixar o albergue. Comecei o caminho apreensivo, pois o primeiro lugar a passar hoje seria Foncebadón, um lugar que ouvira muitas histórias assustadoras. Decepçao. Foncebadón é um pueblo como qualquer outro, com bar e até um albergue. Nao senti nenhuma energia negativa, e nao fui atacado por nenhum cachorro. Aliás, os cachorros sao muito tranqüilos, até agora. Dóceis e simpáticos.
A Cruz de Ferro. Cheguei por lá e tirei a mochila para pegar a pedra que havia trazido do Brasil. Diz a lenda que ao jogar uma pedra que trouxe de sua casa aos pés da cruz, você se livra de todos os pecados e males da sua vida, e caminha renovado para uma nova vida. Que energia tem esse lugar! Chorei como uma criança, rezei e transferi para a pedra tudo o que me angustiava, e pedi para que me tornasse uma pessoa melhor, livre de culpas inexistentes, aberto a novos campos de trabalho e novas perspectivas neste maldito mundo capitalista. Depois de atirá-la aos PÉS da cruz (e nao na cruz, viu, Rê?), me senti muito bem, as dores dos meus pés aliviaram, minhas costas doeram menos, e a mochila pareceu muito, muito mais leve. Chorei de felicidade por quase mais 1km.
Cheguei a Molinaseca com os pés em frangalhos, desesperado e andando muito devagar. Fiquei puto. O albergue era 1km depois do fim da cidade. Isso é uma merda, no caminho. A maioria dos albergues estao no final da cidade, e depois de chegar cansado, você tem que voltar mais 1 ou 2km para encontrar um supermercado.
Total percorrido hoje: 26km
sábado, julho 1
13/06 - Astorga até Rabanal del Camino
Me despedi de Lucas, pois sua jornada era mais longa que a minha, e aguardei os correios abrirem, às 09h00. Postei quase 2kg para Santiago, comprei calcanheiras de silicone para a papete, e um moleton novo, pois o meu eu dei falta em San Martin del Camino. Provavelmente ele ficou em alguma cadeira de bar em León. Minha lembrança de Astorga: um moleton escrito Minnesota University, hehehe. Hilário.
Visitei o Palácio Episcopal de Astorga, projetado de Gaudi. Me preocupei mais com a arquitetura do que com as obras de arte. Gaudi é gênio. Mínimos detalhes fabulosos, grandes detalhes fantásticos! Suas construçoes parecem que têm vida própria.
Deixei Astorga âs 12h00, um pouco atrasado, mas chegaria a tempo de ver o jogo do Brasil, que seria às 21h00.
Chuva, dia dois. As calcanheiras estao ajudando bastante, mas ainda preciso parar de pueblo em pueblo para descansar um pouco da dor.
Cheguei a Rabanal del Camino às 18h30, com folga pra tomar uma bela ducha, comer e me preparar psicologicamente para o meu primeiro jogo de Copa do Mundo longe do Brasil. Praticamente todos que estavam no albergue foram ao bar ver o jogo. De conhecidos, haviam Colin e Selena, Leen, Karin, Robèrt, um canadense que conheci em San Martin e um japonês idem, que nao me lembro do nome.
Saquei a minha bandeira da sorte, e todos tirarm fotos minhas com ela. Eu era o ÚNICO brasileiro naquele bar. É muito estranho. Quando o Brasil fez um gol, levantei e gritei com todos os meus pulmoes... Todos ficaram parados, olhando para mim como se eu tivesse tirado toda a roupa em cima da mesa. Olhei para todos e gritei Êêêêê! Eles responderam rindo. Alguma reaçao de comemoraçao, finalmente. O albergue fecharia às 22h00. Disse que dormiria no bar. A hospitaleira foi gente boa, e até viu o jogo conosco. Fechou o albergue às 23h00. O "jeitinho brasileiro" funciona na Espanha!
Total percorrido hoje: 21km
Visitei o Palácio Episcopal de Astorga, projetado de Gaudi. Me preocupei mais com a arquitetura do que com as obras de arte. Gaudi é gênio. Mínimos detalhes fabulosos, grandes detalhes fantásticos! Suas construçoes parecem que têm vida própria.
Deixei Astorga âs 12h00, um pouco atrasado, mas chegaria a tempo de ver o jogo do Brasil, que seria às 21h00.
Chuva, dia dois. As calcanheiras estao ajudando bastante, mas ainda preciso parar de pueblo em pueblo para descansar um pouco da dor.
Cheguei a Rabanal del Camino às 18h30, com folga pra tomar uma bela ducha, comer e me preparar psicologicamente para o meu primeiro jogo de Copa do Mundo longe do Brasil. Praticamente todos que estavam no albergue foram ao bar ver o jogo. De conhecidos, haviam Colin e Selena, Leen, Karin, Robèrt, um canadense que conheci em San Martin e um japonês idem, que nao me lembro do nome.
Saquei a minha bandeira da sorte, e todos tirarm fotos minhas com ela. Eu era o ÚNICO brasileiro naquele bar. É muito estranho. Quando o Brasil fez um gol, levantei e gritei com todos os meus pulmoes... Todos ficaram parados, olhando para mim como se eu tivesse tirado toda a roupa em cima da mesa. Olhei para todos e gritei Êêêêê! Eles responderam rindo. Alguma reaçao de comemoraçao, finalmente. O albergue fecharia às 22h00. Disse que dormiria no bar. A hospitaleira foi gente boa, e até viu o jogo conosco. Fechou o albergue às 23h00. O "jeitinho brasileiro" funciona na Espanha!
Total percorrido hoje: 21km
12/06 - San Martin del Camino até Astorga
Acordei muito bem, e com disposiçao para andar até Santiago. Tomei um belo café e comecei a andar. Depois de alguns dias, este foi o meu ritmo mais rápido pela manha.
Um pouco antes de chegar em Hospital de Orbigo, conheci Leen, uma belga que trabalha com crianças numa escola na Escócia. Paramos para comer e encontramos Rien e Gemma, que andariam apenas até a próxima cidade. Seguimos adiante.
Chuva! Meu primeiro dia de chuva no caminho. Toca aprender a colocar a capa na mochila, e enfiar a capa de chuva por cima de tudo. Ô troço quente. Papete ensopada, meias idem.
Numa trégua da chuva, paramos para descansar e conhecemos Lucas, um paulista que é músico experimental. Uma figura zen, que começou em Saint Jean uma semana depois do meu início, que andava uns 40km por dia, apreciando a vista e chegando no destino do dia quase sempre ao anoitecer.
Andamos juntos até Astorga, molhados, cansados, doloridos e mortos de fome umas 20h00. Tomamos uma ducha quente, jantamos e fomos dormir.
Total percorrido hoje: 26km
Um pouco antes de chegar em Hospital de Orbigo, conheci Leen, uma belga que trabalha com crianças numa escola na Escócia. Paramos para comer e encontramos Rien e Gemma, que andariam apenas até a próxima cidade. Seguimos adiante.
Chuva! Meu primeiro dia de chuva no caminho. Toca aprender a colocar a capa na mochila, e enfiar a capa de chuva por cima de tudo. Ô troço quente. Papete ensopada, meias idem.
Numa trégua da chuva, paramos para descansar e conhecemos Lucas, um paulista que é músico experimental. Uma figura zen, que começou em Saint Jean uma semana depois do meu início, que andava uns 40km por dia, apreciando a vista e chegando no destino do dia quase sempre ao anoitecer.
Andamos juntos até Astorga, molhados, cansados, doloridos e mortos de fome umas 20h00. Tomamos uma ducha quente, jantamos e fomos dormir.
Total percorrido hoje: 26km
11/06 - León até San Martin del Camino
Demorei umas três horas para sair de León. Passeava devagar por suas ruas e avenidas, e igrejas e monumentos, e cafés e pontos turísticos, e tudo o mais. Me despedi com tristeza desta cidade, mas tive uma real sensaçao de que voltarei aqui novamente, qualquer ano desses.
Em La Virgen del Camino, encontrei Colin e Selena, o simpático casal da Califórnia, e seguimos juntos. Eles pararam em Villadangos del Páramo, mas eu queria mais. Mais dolorosos 4km até San Martin del Camino. Levei umas duas horas para percorrer um trecho muito curto, mas cheguei. Sentei numa cadeira para tomar um Aquarius, o Gatorade daqui, e dormi. Capotei. Tomei um banho e fui comer o menu do peregrino que o albergue oferecia. O melhor do caminho até agora. Pelo preço normal, uns €9,00, tive o mais completo e lauto jantar. Chorizos em rodelas como aperitivo, uma sopa com macarrao, um prato de sopa cheio de alface, outro prato de sopa lotado até a boca de batatas fritas, mais um ovo frito, fatias de lombo e um pimentao. Deixei mais da metade das batatas. Impossível. Depois, rodelas de abacaxi, um balde de café com leite e... chupito! Chupito é um digestivo, tipo o nosso "licorzinho" no final do jantar. A mulher colocou na minha mesa um copo e duas garrafas: uma, com Orujo de Hierbas, com a graduaçao alcoólica da nossa cachaça, mas com um sabor semelhante ao licor Stregga, e outra de Orujo Blanco, que lembra muito grappa, fortíssimo. Uma beleza!
Dormi como uma criança!
Total percorrido hoje: 26km
Em La Virgen del Camino, encontrei Colin e Selena, o simpático casal da Califórnia, e seguimos juntos. Eles pararam em Villadangos del Páramo, mas eu queria mais. Mais dolorosos 4km até San Martin del Camino. Levei umas duas horas para percorrer um trecho muito curto, mas cheguei. Sentei numa cadeira para tomar um Aquarius, o Gatorade daqui, e dormi. Capotei. Tomei um banho e fui comer o menu do peregrino que o albergue oferecia. O melhor do caminho até agora. Pelo preço normal, uns €9,00, tive o mais completo e lauto jantar. Chorizos em rodelas como aperitivo, uma sopa com macarrao, um prato de sopa cheio de alface, outro prato de sopa lotado até a boca de batatas fritas, mais um ovo frito, fatias de lombo e um pimentao. Deixei mais da metade das batatas. Impossível. Depois, rodelas de abacaxi, um balde de café com leite e... chupito! Chupito é um digestivo, tipo o nosso "licorzinho" no final do jantar. A mulher colocou na minha mesa um copo e duas garrafas: uma, com Orujo de Hierbas, com a graduaçao alcoólica da nossa cachaça, mas com um sabor semelhante ao licor Stregga, e outra de Orujo Blanco, que lembra muito grappa, fortíssimo. Uma beleza!
Dormi como uma criança!
Total percorrido hoje: 26km
09/06 - Mansilla de las Mulas até León
Parei na próxima cidade para tomar café e tirar um pouco a papete. Tá foda. Se a recepçao em León for boa, ficarei um dia lá para descansar. Depois de Burgos, estou com trauma de cidades grandes...
Caminho monótono novamante. Sao as Mesetas, um planalto do norte da Espanha. Retas intermináveis, e sem uma mínima curva. Praticamente toda Castilla y León é assim.
Cheguei em León. Uma cidade grande, mas com um espírito e energia infinitamente melhores que Burgos. Paixao à primeira vista. Dá vontade de mudar definitivamente para cá hoje mesmo.
Perguntando aqui e ali, consegui chegar ao Barrio Umedo, a parte velha da cidade. A Catedral de León deveria figurar entre uma das Maravilhas do Mundo. Uma visao das portas do Paraíso. Por dentro, mais surpresas: cada buraquinho que vemos por fora, é um detalhado e colorido vitral, por dentro. É difícil nao ficar de queixo caído com tamanha beleza. Fiquei por lá umas duas horas, entre percorrer cada centímetro dos infinitos detalhes e um cultural passeio pelo museu.
Encontrei Dani, Inez, Peter e Gemma, e fomos comer tapas, as nossas porçoes. E levamos um tapa na cara com a conta, um tanto superior para a nossa rotina humilde de peregrinos...
Fomos beber e dançar. Fiesta! Amanha é dia de descanso.
Total percorrido hoje: 21km
Caminho monótono novamante. Sao as Mesetas, um planalto do norte da Espanha. Retas intermináveis, e sem uma mínima curva. Praticamente toda Castilla y León é assim.
Cheguei em León. Uma cidade grande, mas com um espírito e energia infinitamente melhores que Burgos. Paixao à primeira vista. Dá vontade de mudar definitivamente para cá hoje mesmo.
Perguntando aqui e ali, consegui chegar ao Barrio Umedo, a parte velha da cidade. A Catedral de León deveria figurar entre uma das Maravilhas do Mundo. Uma visao das portas do Paraíso. Por dentro, mais surpresas: cada buraquinho que vemos por fora, é um detalhado e colorido vitral, por dentro. É difícil nao ficar de queixo caído com tamanha beleza. Fiquei por lá umas duas horas, entre percorrer cada centímetro dos infinitos detalhes e um cultural passeio pelo museu.
Encontrei Dani, Inez, Peter e Gemma, e fomos comer tapas, as nossas porçoes. E levamos um tapa na cara com a conta, um tanto superior para a nossa rotina humilde de peregrinos...
Fomos beber e dançar. Fiesta! Amanha é dia de descanso.
Total percorrido hoje: 21km
08/06 - Bercianos del Real Camino até Mansilla de las Mulas
Mais caminhadas chatas hoje. Uma reta interminável, com estrada do lado direito e uma árvore a cada metro do lado esquerdo. É bonito, mas andar 7km vendo a mesma coisa é um saco. Parei em El Burgo Raneros para tomar algo, pois teria mais uns 11km sem nada pela frente.
Doloroso. Tudo incomoda. Nao tenho mais posiçao confortável para andar sem que sinta alguma dor. Tira tornozeleira, poe tornozeleira, poe palmilha da bota, tira palmilha da bota, tira tornozeleira e aperta um pouco mais o pé com uma faixa... tou pensando seriamente em voltar a usar as botas...
Cheguei em Reliegos e bebi cerveja, San Miguel, deliciosa! Encontrei Rien e Marcelo, e batemos papo por um tempo. Eles ficariam por lá, e eu queria andar um pouco mais, mesmo com os pés em frangalhos. Muitas vezes, a gente vai até onde nossos pés conseguem. Outras vezes, vamos até aonde nossa intuiçao quer, doa a quem doer. Coisas do Caminho...
16h00. Sol mortal. Só um louco anda numa hora dessas. Prazer: André.
No albergue, em Mansilla de las Mulas, conheci um letonês que terminava sua jornada ali. Saiu a pé, da Letônia, 5 meses atrás. Fez o caminho até Finisterre, e voltou tudo a pé. Tem neguinho mais louco que eu no mundo...
Total percorrido hoje: 26km
Doloroso. Tudo incomoda. Nao tenho mais posiçao confortável para andar sem que sinta alguma dor. Tira tornozeleira, poe tornozeleira, poe palmilha da bota, tira palmilha da bota, tira tornozeleira e aperta um pouco mais o pé com uma faixa... tou pensando seriamente em voltar a usar as botas...
Cheguei em Reliegos e bebi cerveja, San Miguel, deliciosa! Encontrei Rien e Marcelo, e batemos papo por um tempo. Eles ficariam por lá, e eu queria andar um pouco mais, mesmo com os pés em frangalhos. Muitas vezes, a gente vai até onde nossos pés conseguem. Outras vezes, vamos até aonde nossa intuiçao quer, doa a quem doer. Coisas do Caminho...
16h00. Sol mortal. Só um louco anda numa hora dessas. Prazer: André.
No albergue, em Mansilla de las Mulas, conheci um letonês que terminava sua jornada ali. Saiu a pé, da Letônia, 5 meses atrás. Fez o caminho até Finisterre, e voltou tudo a pé. Tem neguinho mais louco que eu no mundo...
Total percorrido hoje: 26km
07/06 - Terradillos de los Templarios até Bercianos del Real Camino
Comecei a andar só, algo comum para mim. Pela manha, com os pés frios, caminho num ritmo bem lento, e os outros me passam fácil. Ao longo do dia, caminho melhor, até que meus pés gritem para que eu pare...
No meio do caminho, me despeço da Província de Palencia e entro na Província de León.
Paramos em Sahagún para conhecer a cidade. Show. Entramos numa igreja construída em 1300, com esculturas de madeira em tamanho natural representando a Via Sacra. É incrível estar perto de algo que foi construído ANTES do descobrimento do Brasil...
Mais 11km até a meta do dia, em baixo de um causticante sol. Eu e Gemma andamos o mais rápido que podíamos para chegar logo e descansar.
O albergue de Bercianos é o mais rústico até agora: por fora pedras, e por dentro um tipo de pau-a-pique. Abaixo, piso de pedra, no piso de acima, madeira. Cama confortável, ducha quente, perfeito!
Vi uma missa realizada em FRANCÊS, comemos todos juntos, umas 25 pessoas, entre peregrinos e hospitaleiros, e fomos todos para fora para ver, o que dizem por lá, o mais bonito pôr-do-sol do Caminho. Todos em silêncio, apenas Milan tocando violao numa língua ininteligível, e o fim do dia. Bonito. Um balé de pássaros completavam o espetáculo.
No albergue conheci dois espanhóis: Dani, um catalao, Inez, da Cantabria. E reencontrei Norma, a carioca que havia conhecido há uns dias.
Total percorrido hoje: 24km
No meio do caminho, me despeço da Província de Palencia e entro na Província de León.
Paramos em Sahagún para conhecer a cidade. Show. Entramos numa igreja construída em 1300, com esculturas de madeira em tamanho natural representando a Via Sacra. É incrível estar perto de algo que foi construído ANTES do descobrimento do Brasil...
Mais 11km até a meta do dia, em baixo de um causticante sol. Eu e Gemma andamos o mais rápido que podíamos para chegar logo e descansar.
O albergue de Bercianos é o mais rústico até agora: por fora pedras, e por dentro um tipo de pau-a-pique. Abaixo, piso de pedra, no piso de acima, madeira. Cama confortável, ducha quente, perfeito!
Vi uma missa realizada em FRANCÊS, comemos todos juntos, umas 25 pessoas, entre peregrinos e hospitaleiros, e fomos todos para fora para ver, o que dizem por lá, o mais bonito pôr-do-sol do Caminho. Todos em silêncio, apenas Milan tocando violao numa língua ininteligível, e o fim do dia. Bonito. Um balé de pássaros completavam o espetáculo.
No albergue conheci dois espanhóis: Dani, um catalao, Inez, da Cantabria. E reencontrei Norma, a carioca que havia conhecido há uns dias.
Total percorrido hoje: 24km
06/06/06 - Carrión de los Condes até Terradillos de los Templarios
Tomei café na praça com Gemma, e começamos a caminhar. 17km sem NADA até o próximo pueblo. Gemma acelerou e fiquei para trás. Encontrei Ali, e fomos conversando. Sua amiga estava mais rápida, e a esperaria em Calzadilla de la Cueza.
Ao chegar lá, a primeira coisa que precisava era de uma caña, lê-se cânha, o nosso chopp. Faltavam 10km até Terradillos...
Muito sol e nada de sombra. Me senti no Saara. Transpiro em bicas. Se espremer minha camiseta, recarrego minha garrafa de água.
Chegamos, e fomos tomar... cerveja! Ficamos conversando com Gemma, Rien, Robert, Peter, um alemão muito divertido, e Nick e Tim, dois irlandeses loucos que estão fazendo o Caminho vestidos com grossas roupas de monges, para parecer peregrinos reais. Doidos de pedra. Com esse calor, se eu usasse aquilo seria suicídio.
Duas horas na internet atualizando o blog, comida e cama.
Durante o jantar, conheci Shun, um japonês que estuda na Europa, e decidiu fazer o caminho para ver como era. Com um inglês restrito, tem sobrevivido. É o primeiro oriental que encontro no caminho.
Total percorrido hoje: 27km
Ao chegar lá, a primeira coisa que precisava era de uma caña, lê-se cânha, o nosso chopp. Faltavam 10km até Terradillos...
Muito sol e nada de sombra. Me senti no Saara. Transpiro em bicas. Se espremer minha camiseta, recarrego minha garrafa de água.
Chegamos, e fomos tomar... cerveja! Ficamos conversando com Gemma, Rien, Robert, Peter, um alemão muito divertido, e Nick e Tim, dois irlandeses loucos que estão fazendo o Caminho vestidos com grossas roupas de monges, para parecer peregrinos reais. Doidos de pedra. Com esse calor, se eu usasse aquilo seria suicídio.
Duas horas na internet atualizando o blog, comida e cama.
Durante o jantar, conheci Shun, um japonês que estuda na Europa, e decidiu fazer o caminho para ver como era. Com um inglês restrito, tem sobrevivido. É o primeiro oriental que encontro no caminho.
Total percorrido hoje: 27km
05/06 - Población de Campos até Carrión de los Condes
Depois de uma noite fria entre as estrelas, acordei resfriado. Meu nariz era uma cachoeira. Tomei outro antigripal e comecei a arrumar as coisas. Segunda-feira preguiçosa...
Fui o último a deixar o albergue, e andei devagar, pois meus pés me matavam. Parei em Villarmentero de Campos para descansar. Logo depois aparece Rasmus, também preguiçoso. Tomamos umas cervejas e seguimos viagem.
Um dia muito chato para caminhar. Entre os pueblos, temos uma infinita estrada reta, e a cada 500m tótens com uma concha, para indicar o Caminho. Um saco. Avistamos o outro pueblo logo no começo da caminhada, mas andamos e andamos e nunca chegamos... Para passar mais rápido, Rasmus sacou seu violão e eu adaptei o kazzoo para virar uma gaita, e tocamos por uma meia hora o "Blues do Caminho".
Em Villalcázar de Sirga, encontramos Robert, e depois apareceu Marcelo, o brasileiro que não tínhamos notícias desde Logroño. Tivera uma infecção, e ficara 2 dias descansando. Sua marcha é muito mais rápida que a nossa.
Carrión de los Condes é uma bela cidade, com praças arborizadas e construções de pedra. Lá encontrei Robert, Karin, Gemma e Milan, e reencontrei Rien, Maria, e Rachel e Ali, duas americanas que estudam no Novo México.
Fui dormir cansado, com os pés em frangalhos.
Total percorrido hoje: 18km
Fui o último a deixar o albergue, e andei devagar, pois meus pés me matavam. Parei em Villarmentero de Campos para descansar. Logo depois aparece Rasmus, também preguiçoso. Tomamos umas cervejas e seguimos viagem.
Um dia muito chato para caminhar. Entre os pueblos, temos uma infinita estrada reta, e a cada 500m tótens com uma concha, para indicar o Caminho. Um saco. Avistamos o outro pueblo logo no começo da caminhada, mas andamos e andamos e nunca chegamos... Para passar mais rápido, Rasmus sacou seu violão e eu adaptei o kazzoo para virar uma gaita, e tocamos por uma meia hora o "Blues do Caminho".
Em Villalcázar de Sirga, encontramos Robert, e depois apareceu Marcelo, o brasileiro que não tínhamos notícias desde Logroño. Tivera uma infecção, e ficara 2 dias descansando. Sua marcha é muito mais rápida que a nossa.
Carrión de los Condes é uma bela cidade, com praças arborizadas e construções de pedra. Lá encontrei Robert, Karin, Gemma e Milan, e reencontrei Rien, Maria, e Rachel e Ali, duas americanas que estudam no Novo México.
Fui dormir cansado, com os pés em frangalhos.
Total percorrido hoje: 18km
04/06 - Castrojeriz até Población de Campos
Acordei com tosse e um pouco de dor de garganta. Tomei um antigripal pra prevenir, e fui tomar meu desaiuño, café da manhã, com Gemma e Milan, um cara da Rep. Tcheca que conhecemos ontem. Como meus pés estão doloridos, eles andaram muito mais rápido.
Nem meia hora de caminhada, e tive que subir a Cuesta de Mostelares, uma PUTA subida, mas com paisagem muito rica. Mais feno por todos os lados, e uma PUTA descida...
Parei na frente de uma fonte em Boadilla del Camino. Lá, fiquei por umas duas horas, almoçando e atualizando o meu diário, regado à água fria da fonte e uma garrafa de tinto da Rioja que eu carregava na mochila.
Um trecho do caminho fazemos ao lado do Canal de Castilla, uma bela paisagem, com muito mato, barulho de água, sapos e pássaros. E insetos e outros bichos. Muitos insetos e outros bichos. Já me acostumei com eles. As aranhas passeiam nas minhas pernas, braços, mochila, e apenas as pego e devolvo à grama. Outro dia, um besouro tomou carona no meu braço por uns 2km...
Cheguei a Frómista e encontrei o albergue. 15 camas livres. Nao sei porquê, mas resolvi andar mais 4km até a próxima cidade.
Cheguei a Población de Campos, e o albergue estava cheio. Karin já havia montado acampamento no gramado, e me juntei a ela. Depois apareceu Gemma, também. Rasmus, Bethany e Emily, uma americana que conhecera há uns dias, resolveram dormir numa praça.
No meio da noite, acordei e vi, entre as árvores, a Via Láctea. Esta é uma das vantagens de dormir ao relento... Mas ao relento, com a estrutura de um albergue é muito melhor, pois temos ducha e banheiro e cozinha incluídos no pacote, hehehe.
Total percorrido hoje: 28km
Nem meia hora de caminhada, e tive que subir a Cuesta de Mostelares, uma PUTA subida, mas com paisagem muito rica. Mais feno por todos os lados, e uma PUTA descida...
Parei na frente de uma fonte em Boadilla del Camino. Lá, fiquei por umas duas horas, almoçando e atualizando o meu diário, regado à água fria da fonte e uma garrafa de tinto da Rioja que eu carregava na mochila.
Um trecho do caminho fazemos ao lado do Canal de Castilla, uma bela paisagem, com muito mato, barulho de água, sapos e pássaros. E insetos e outros bichos. Muitos insetos e outros bichos. Já me acostumei com eles. As aranhas passeiam nas minhas pernas, braços, mochila, e apenas as pego e devolvo à grama. Outro dia, um besouro tomou carona no meu braço por uns 2km...
Cheguei a Frómista e encontrei o albergue. 15 camas livres. Nao sei porquê, mas resolvi andar mais 4km até a próxima cidade.
Cheguei a Población de Campos, e o albergue estava cheio. Karin já havia montado acampamento no gramado, e me juntei a ela. Depois apareceu Gemma, também. Rasmus, Bethany e Emily, uma americana que conhecera há uns dias, resolveram dormir numa praça.
No meio da noite, acordei e vi, entre as árvores, a Via Láctea. Esta é uma das vantagens de dormir ao relento... Mas ao relento, com a estrutura de um albergue é muito melhor, pois temos ducha e banheiro e cozinha incluídos no pacote, hehehe.
Total percorrido hoje: 28km
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